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Por Carmen Saraiva

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Ainda vai a tempo?

Quarta-feira, 14.08.13

Foi já há quase duas semanas que vimos "A Gaiola Dourada", mas como entretanto se meteram os dias com menos acesso ao computador, acabei por não fazer referência ao filme. É verdade que quando começou a grande operação de marketing da longa metragem não liguei muito, fiquei a pensar que seria much a do about nothing. Felizmente algumas pessoas conseguiram convencer-me a ir ver (nomeadamente a minha irmã, que viu precisamente no dia da estreia e me ligou completamente em êxtase), e fomos logo no sábado seguinte. Escusado será dizer que a minha opinião foi a da esmagadora maioria, ou seja, adorei. Achei muito divertido e ao mesmo tempo fiel à realidade daquilo que é a vida dos portugueses lá fora. A prestação de Joaquim de Almeida e Rita Blanco é extraordinária e só por si valoriza imenso o filme. É este casal que está no centro do desenrolar da história e são eles que retratam melhor a personalidade e comportamento daquele que é o típico português. Ri-me a bandeiras despregadas e emocionei-me ao mesmo tempo, já que acredito que, a brincar a brincar, é algo que acontece a muitos emigrantes: depararem-se com o dilema de regressar ou não a Portugal e, mesmo com excelentes condições à sua espera, lhes custar abandonar a vida que já construiram lá nos últimos 30 anos, com a família, os amigos, a casa, os lugares e toda a rotina diária com a qual convivem há tanto tempo. Não deve ser fácil. Só morei fora pouco menos de dois anos e ainda assim lembro-me das saudades que sentia todos os dias, tanto das pessoas como das mais pequenas coisas, como ir a uma esplanada tomar um bom café expresso, ou comer um peixe grelhado, gambas à guilho ou uma sopa, dos lugares e rotinas que nos são familiares... Tudo isto enquanto, ao mesmo tempo, me sentia lá muito bem e completamente adaptada à vida e cultura britânicas. Mas é engraçado: o simples "ouvir falar português" é um bálsamo para a alma, e aproxima-nos um bocadinho mais daquilo que é nosso. É por isso que os portugueses (e qualquer outra nacionalidade) se descobrem e se juntam em "comunidades" sempre que estão longe. Fala-se e ouve-se português, revive-se e mata-se a saudade da cultura que, quer se queira quer não, é a nossa e que já trazemos gravada quando nascemos. Costuma dizer-se que só quando estamos longe conseguimos valorizar aquilo que temos, e isso é bem verdade. Experimentem ficar sem comer bacalhau e outras iguarias durante não sei quantos meses e logo me contam como é.

 

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