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Por Carmen Saraiva

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Sobre a lei da compensação

Terça-feira, 27.08.13

Ao longo da vida, vamo-nos cruzando com centenas de pessoas nos mais diversos contextos. Umas evoluem do estado "simples conhecidos" para o patamar de "amigos", outras nunca passam disso, umas são-nos indiferentes, outras tornam-se verdadeiros ódios de estimação.

Para mim, entre todas elas, sempre houve mais duas categorias distintas: aquelas que me inspiram boas energias, as que me fazem sentir bem, para cima, que têm em torno delas uma aura de cores bonitas e esbanjam boa disposição; e aquelas que têm em mim precisamente o efeito contrário, ou seja, que ao entrar numa sala enchem o ar de um negativismo impressionante e poluem imediatamente o ambiente, pessoas que estão de mal consigo próprias e com o que têm, que traçam como único objetivo prejudicar e ver os outros infelizes para se sentirem melhor na sua tristeza crónica e nas suas vidas desprovidas de sentido e propósito, e até chegam ao ponto de me fazer sentir mal fisicamente, tal é a intensidade do pessimismo que as envolve. Basicamente, pessoas cheias de "maus fígados", como digo às vezes. Infelizmente já tive de conviver com algumas que se encaixavam nesta última categoria, e não foi fácil. Gosto de estar sempre bem-disposta, de rir e de sorrir, de fazer rir os outros e da harmonia entre os que me rodeiam, e quando me deparo com pessoas que são precisamente o oposto de mim, custa-me horrores ignorá-las e fingir que não estão ali. Mas já o fiz, por vezes diariamente, e não morri. É preciso lembrar também que essas pessoas só têm a importância que lhes dão (ou que lhes damos) e, como tal, se formos a ver, não têm absolutamente nenhuma.

Felizmente, e para compensar os erros de casting do destino, de vez em quando aparecem na nossa vida as pessoas que se encaixam na primeira categoria, e quando menos esperamos. Foi o que aconteceu ontem. Há uns meses, por portas e travessas, travei conhecimento com uma menina (digo "menina" carinhosamente, por ser só quatro aninhos mais nova do que eu, mas em termos de maturidade é evidentemente uma senhora) num contexto não presencial, ou seja, através da internet. Foi por mero acaso: ela leu alguns dos meus textos pessoais, identificou-se com os meus desabafos e passado alguns meses enviou-me um email muito querido e extenso em que, entre muitas outras coisas, explicava que, apesar de nunca me ter visto, se identificava imenso comigo e sentia até que já me conhecia. Tudo isto sem saber, sequer, o meu nome próprio. Fiquei emocionada com a simpatia e a entrega das palavras, adorei a forma como o escreveu e descreveu (sempre achei que a eloquência ou, neste caso, a boa escrita, traduz fielmente a nossa essência e é, em 90 por cento dos casos, um excelente cartão de visita), e respondi-lhe, agradecendo imenso. Acabámos por nos aproximar mais e dar um rosto aos emails através dessa coisa a que chamam Facebook, que pode não passar de uma rede social mais ou menos inútil, que já despoletou não sei quantos mal-entendidos e outros tantos divórcios, mas que ainda tem destas coisas boas: trazer-nos pessoas que dão mais colorido à nossa existência e que, doutra forma, nunca conheceriamos. E foi assim que ontem nos encontrámos finalmente e nos sentámos para o que deveria ter sido um café de poucos minutos numa esplanada, e que se alongou durante quase uma hora e meia, que passou a voar - diz que é assim quando nos sentimos felizes entre amigos. Muito se disse e se confidenciou, e muito mais haveria para rir e chorar, não fosse a pressão do tempo, que era limitado. Ficaram prometidos outros cafés e mais risadas. A F. é realmente a pessoa que sempre imaginei que era: simpática, extrovertida, genuína e inteligente. Para não falar de giraça, que isso já tinha percebido pelas fotos. Afinal já a conhecia, mas ainda não sabia o quanto. Fiquei muito feliz por ter feito uma nova amiga, e mais ainda, por ter já há alguns meses na minha vida, mas agora de forma mais presente, alguém como ela. Obrigada.

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