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Por Carmen Saraiva

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Para levar no saco de praia

Segunda-feira, 22.07.13

Estas são duas das novidades Bertrand deste mês. Pelas sinopses da editora, pareceram-me ambas excelentes opções para ocupar os dias de férias (e se eu adoro despachar 90 por cento das leituras do ano na praia).

A Livraria Noite e Dia do Senhor Penumbra, de Robin Sloan, Bertrand Editora.
"Clay Jannon acaba de perder o emprego, mas a sua capacidade de subir e descer um escadote como um macaco permitem-lhe encontrar emprego no turno da noite da misteriosa Livraria Noite e Dia – gerida pelo não menos misterioso A. Penumbra. Após algumas noites de trabalho, os mistérios sucedem-se: a livraria tem pouquíssimos clientes, mas eles vêm repetidamente e parecem nunca comprar nada, limitando-se a «pedir emprestados» uns volumes obscuros dos recantos ainda mais obscuros da livraria, segundo um acordo com o excêntrico livreiro. Apesar dos avisos do patrão, Clay não resiste a analisar o comportamento dos clientes e tentar descobrir de que tratam aqueles estranhos volumes e o que se passa nesta bizarra livraria. No entanto, os segredos que descobre (com a ajuda da namorada, que trabalha na Google, e de um bando de amigos geeks e techies) vão muito além das paredes da Livraria Noite e Dia… um mistério tão vasto que só pode caber dentro de um livro!"

 

 

Tudo o que Nunca te Disse, de Romana Petri, Bertrand Editora.

"Mario e Cristiana já passaram os 60 anos e estão divorciados há 15. Certo dia, em Roma, Cristiana recebe uma carta estranha de Mario, do Brasil. Escreve-lhe dizendo que se sente velho, que gostaria de reencontrar um pouco da juventude trocando cartas com ela. Diz que só assim, voltando atrás com quem se foi jovem, se pode continuar a sê-lo. Mas quais são as verdadeiras intenções de Mario? Através das respostas de Cristiana, o leitor vê desfilarem diante dos seus olhos os tiques e os mal-estares de toda uma geração: as falsas utopias, a crise das relações entre homens e mulheres, a revolução fracassada, o terrorismo, os muitos ideais que se esfumaram, deixando espaço apenas para a realidade banal. E depois os rancores, as traições mútuas, todas as coisas nunca ditas que finalmente vêm ao de cima de maneira violenta, brutal, impiedosa. Até se chegar a um verdadeiro ajuste de contas, no qual todas as cartas são postas na mesa."

 

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Venham mais 70!

Segunda-feira, 22.07.13

Ontem celebrámos o aniversário do pai. Houve almoço daqueles que duram até às tantas, típicos de domingo, em que dá para pôr a conversa e as gargalhadas em dia. No caminho até ao restaurante, no carro, perguntavam os meus sogros quantos anos eram. Fiquei na dúvida entre 68 ou 69, mas mais inclinada para a segunda hipótese (e que era realmente a correta). E o mais engraçado foi a incredulidade do marido, que convive diariamente com ele há quase três anos: "O quê, alguma vez???" E nesta frase se exemplifica bem a quem não conhece o meu pai que de facto não parece ter a idade que tem. Nem pensar. Nunca me lembro que tem quase 70 anos, e quando vejo alguém com essa idade, cheio de maleitas e limitações, percebe-se porquê. Para o meu pai os anos não passam. Nunca fica doente, faz exercício físico diariamente (às vezes até demais), é viciado em saladas e em fruta. Nunca fumou, bebe ocasionalmente um copo de vinho e todos os dias se levanta religiosamente por volta das 7 horas, se não mais cedo. Trabalhou (oficialmente) quase 60 anos da sua vida e hoje, mesmo reformado, não pára. É uma fonte de energia inesgotável. É um dos dois homens da minha vida e nutro por ele uma admiração eterna e crescente, que não é senão merecida. Devo-lhe tantas coisas que não chegavam todos os blogues nem todo o espaço virtual para enumerá-las. E lembro-me de que houve um tempo, naquelas fases parvas da adolescência, em que me senti a milhares de quilómetros do meu pai, ainda que vivessemos na mesma casa. Penso que terá sido logo depois de termos perdido a minha mãe. Curiosamente, foi só quando fui morar e estudar para Inglaterra e fiquei realmente a milhares de quilómetros de distância que percebi o quanto a presença e a companhia dele me faziam falta. Durante esse período fiquei mais próxima e conversei mais com o meu pai do que enquanto cá estava, mesmo que às vezes as conversas fossem por carta ou e-mail - o telefone estava limitado a uma vez por semana, salvo alguma emergência, para não ficarmos ambos na bancarrota. Havia sempre tanto para contar e para perguntar que cada palavra era preciosa. Essa oportunidade e experiência única devo-a também a ele, e além do diploma pude trazer na bagagem muitos amigos para a vida e muitos dias inesquecíveis que fizeram de mim a pessoa que hoje sou. Enfim, é um pilar na minha vida, sempre fez e continuará a fazer-nos falta a todos, por mais que os anos passem. Espero que continuemos a celebrar o seu aniversário e a repetir dias como o de ontem pelo menos mais 70 vezes, e sempre com saúde - pode ser que assim tenha tempo suficiente para agradecer e tentar retribuir alguns dos itens da interminável lista.

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Mais do que um rascunho: o início

Segunda-feira, 22.07.13

 

Uma folha em branco pode despertar tanto entusiasmo, como terror. Já me confrontei ao longo da minha vida académica e enquanto jornalista com ambas as situações, mas confesso que felizmente a primeira foi mais frequente. Por mais vezes que a inspiração pareça falhar-nos quando mais precisamos dela, sempre senti que a enxurrada de palavras necessária para encher a imensidão de uma folha A4 acabava por me tomar de surpresa quando menos esperava. E assim, quase sem que desse conta, nasciam as "histórias"; primeiro em diários e folhas de papel soltas, mais tarde no ecrã de um computador... Mas apesar da tecnologia dominar o mundo atual e de nos termos rendido aos iPhones e iPads, um dos meus grandes tesouros continua a ser a coleção de cartas e postais que trocava com os amigos que moravam longe, ou os que recebia em ocasiões como o aniversário ou o Natal, no tempo em que ainda não sabiamos o que eram endereços de e-mail (achei alguns exemplares dessa coleção há uns dias e fiquei deliciada...). Sim, continuo a valorizar o papel e o cheiro das páginas de um livro, nunca li nem sei se lerei nos próximos tempos um e-book, mas a Internet tem um alcance que uma folha de papel arrumada dentro de uma gaveta nunca terá. E por isso decidi dar voz ao Blog 100 páginas.

A minha fonte de inspiração para tudo na vida sempre foram as pessoas e as coisas bonitas que me rodeiam e que amo, as minhas experiências, os lugares por onde já passei. E na escrita não é diferente. O desafio renova-se, por mais que os dedos teimem em pressionar centenas de milhar de vezes as mesmas teclas - porque os dias são todos diferentes e em todos eles, nem que a longevidade nos arraste até aos duzentos anos, aprendemos algo. Este blogue surgiu da necessidade de perpetuar o prazer de escrever que está impregnado na minha alma desde o momento em que aprendi a pegar num lápis, e que a profissão nunca satisfez em pleno, talvez porque a liberdade para deixar fluir esse mesmo lápis fosse infinitamente limitada. Agora, neste espaço, posso quebrar os grilhões e ser (ainda) mais feliz. Não será na forma de um diário ou caderno, como antigamente, mas online, "sem páginas", para poder partilhar com quem me queira ler tudo o que me inspira e me traz alegria, o que me choca e me entristece, o que me faz rir e me comove. Das coisas mais importantes às mais triviais. Acima de tudo, espero que se divirtam a "folhear" as páginas. Bem-vindos.

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