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Por Carmen Saraiva

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Venham mais 70!

Segunda-feira, 22.07.13

Ontem celebrámos o aniversário do pai. Houve almoço daqueles que duram até às tantas, típicos de domingo, em que dá para pôr a conversa e as gargalhadas em dia. No caminho até ao restaurante, no carro, perguntavam os meus sogros quantos anos eram. Fiquei na dúvida entre 68 ou 69, mas mais inclinada para a segunda hipótese (e que era realmente a correta). E o mais engraçado foi a incredulidade do marido, que convive diariamente com ele há quase três anos: "O quê, alguma vez???" E nesta frase se exemplifica bem a quem não conhece o meu pai que de facto não parece ter a idade que tem. Nem pensar. Nunca me lembro que tem quase 70 anos, e quando vejo alguém com essa idade, cheio de maleitas e limitações, percebe-se porquê. Para o meu pai os anos não passam. Nunca fica doente, faz exercício físico diariamente (às vezes até demais), é viciado em saladas e em fruta. Nunca fumou, bebe ocasionalmente um copo de vinho e todos os dias se levanta religiosamente por volta das 7 horas, se não mais cedo. Trabalhou (oficialmente) quase 60 anos da sua vida e hoje, mesmo reformado, não pára. É uma fonte de energia inesgotável. É um dos dois homens da minha vida e nutro por ele uma admiração eterna e crescente, que não é senão merecida. Devo-lhe tantas coisas que não chegavam todos os blogues nem todo o espaço virtual para enumerá-las. E lembro-me de que houve um tempo, naquelas fases parvas da adolescência, em que me senti a milhares de quilómetros do meu pai, ainda que vivessemos na mesma casa. Penso que terá sido logo depois de termos perdido a minha mãe. Curiosamente, foi só quando fui morar e estudar para Inglaterra e fiquei realmente a milhares de quilómetros de distância que percebi o quanto a presença e a companhia dele me faziam falta. Durante esse período fiquei mais próxima e conversei mais com o meu pai do que enquanto cá estava, mesmo que às vezes as conversas fossem por carta ou e-mail - o telefone estava limitado a uma vez por semana, salvo alguma emergência, para não ficarmos ambos na bancarrota. Havia sempre tanto para contar e para perguntar que cada palavra era preciosa. Essa oportunidade e experiência única devo-a também a ele, e além do diploma pude trazer na bagagem muitos amigos para a vida e muitos dias inesquecíveis que fizeram de mim a pessoa que hoje sou. Enfim, é um pilar na minha vida, sempre fez e continuará a fazer-nos falta a todos, por mais que os anos passem. Espero que continuemos a celebrar o seu aniversário e a repetir dias como o de ontem pelo menos mais 70 vezes, e sempre com saúde - pode ser que assim tenha tempo suficiente para agradecer e tentar retribuir alguns dos itens da interminável lista.

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Mais do que um rascunho: o início

Segunda-feira, 22.07.13

 

Uma folha em branco pode despertar tanto entusiasmo, como terror. Já me confrontei ao longo da minha vida académica e enquanto jornalista com ambas as situações, mas confesso que felizmente a primeira foi mais frequente. Por mais vezes que a inspiração pareça falhar-nos quando mais precisamos dela, sempre senti que a enxurrada de palavras necessária para encher a imensidão de uma folha A4 acabava por me tomar de surpresa quando menos esperava. E assim, quase sem que desse conta, nasciam as "histórias"; primeiro em diários e folhas de papel soltas, mais tarde no ecrã de um computador... Mas apesar da tecnologia dominar o mundo atual e de nos termos rendido aos iPhones e iPads, um dos meus grandes tesouros continua a ser a coleção de cartas e postais que trocava com os amigos que moravam longe, ou os que recebia em ocasiões como o aniversário ou o Natal, no tempo em que ainda não sabiamos o que eram endereços de e-mail (achei alguns exemplares dessa coleção há uns dias e fiquei deliciada...). Sim, continuo a valorizar o papel e o cheiro das páginas de um livro, nunca li nem sei se lerei nos próximos tempos um e-book, mas a Internet tem um alcance que uma folha de papel arrumada dentro de uma gaveta nunca terá. E por isso decidi dar voz ao Blog 100 páginas.

A minha fonte de inspiração para tudo na vida sempre foram as pessoas e as coisas bonitas que me rodeiam e que amo, as minhas experiências, os lugares por onde já passei. E na escrita não é diferente. O desafio renova-se, por mais que os dedos teimem em pressionar centenas de milhar de vezes as mesmas teclas - porque os dias são todos diferentes e em todos eles, nem que a longevidade nos arraste até aos duzentos anos, aprendemos algo. Este blogue surgiu da necessidade de perpetuar o prazer de escrever que está impregnado na minha alma desde o momento em que aprendi a pegar num lápis, e que a profissão nunca satisfez em pleno, talvez porque a liberdade para deixar fluir esse mesmo lápis fosse infinitamente limitada. Agora, neste espaço, posso quebrar os grilhões e ser (ainda) mais feliz. Não será na forma de um diário ou caderno, como antigamente, mas online, "sem páginas", para poder partilhar com quem me queira ler tudo o que me inspira e me traz alegria, o que me choca e me entristece, o que me faz rir e me comove. Das coisas mais importantes às mais triviais. Acima de tudo, espero que se divirtam a "folhear" as páginas. Bem-vindos.

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