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Por Carmen Saraiva

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VFNO: o rescaldo

Sexta-feira, 13.09.13

E ontem lá fomos nós, Avenida da Liberdade abaixo, mais concentradas em pôr a conversa em dia do que em ver de facto as montras ou em entrar nas lojas. Escolhemos três ou quatro e lá fomos cuscar, numas simplesmente não valia a pena entrar, noutras entrámos por nossa conta e risco, tal era o monte de mulherada que as enchia. Nesta noite já se sabe que compras estão fora de questão: ninguém tem calma e concentração suficiente para ver o que quer mesmo comprar, e mesmo que tenha, as filas habituais nas lojas que são mais em conta fazem qualquer uma desistir da espera. Simplesmente não há cu que aguente a confusão. Para mim não dá mesmo - é por isso que não sou menina de me perder nos saldos, apesar da tentação dos descontos, porque o ambiente normal desses dias (tudo doido à luta pelo último par de stilettos 38 em preto, prateleiras com montes de roupa até ao teto, filas de 5 quilómetros para pagar, etc.) nunca me estimula à compra.

Mas a VFNO é sempre gira para dar uma volta pela Avenida e pelo Chiado, ver as ruas cheias de animação, ir fintando os encontrões e finalmente atingir o destino: o restaurante onde jantamos, descansamos as pernas e prolongamos a noite, todas juntas. E ontem S. Pedro ajudou, porque a temperatura estava fantástica, nem muito quente, nem muito fresca. Para meu espanto, consegui ir sem me sentir cansada desde o Marquês de Pombal até à Oficina do Duque, no Chiado, o local escolhido para o repasto. A ementa é super original e alguns ingredientes obrigaram a uma pesquisa no Google para serem decifrados. O espaço é muito agradável, apesar de não muito grande e, com as portas abertas, o fresco da noite ia invadindo a sala sem deixar que o ambiente se tornasse pesado. A maioria de nós escolheu o bitoque, que estava muito saboroso e bem passado como pedi, apesar da carne ser de uma grossura considerável. O único senão foi mesmo o ovo cozido a baixa temperatura, que já vinha frio (e não só o meu). Enfim, ficou aprovado!

Quando saímos e rumámos em direção a casa, o que mais me chocou foi a quantidade de lixo acumulado nas ruas. De fugir. Copos, sacos, papéis, garrafas, eu sei lá. A dimensão dos pontos de recolha simplesmente não está preparada para uma noite destas. Isso a juntar aos péssimos hábitos de algumas pessoas mais porquinhas, que já se sabe o que a casa gasta. Espero que tenham conseguido pôr a cidade em ordem antes do amanhecer, caso contrário quem acordasse e desse de caras com aquele cenário iria pensar que um furacão atacou Lisboa durante a noite.

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